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10 de março de 2010
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Não há mais tempo ou espaço para um Aragorn cordial, ingênuo, amistoso e escapista. É tempo de conhecer suas trevas; seus talentos e o poder que existe na condição de ser o herdeiro do trono de Isildur.
A jornada de todo aquele busca a meta da individuação não termina sem antes do confronto com a sombra. Como já vimos na trajetória de Frodo e Gandalf, após a confrontação com a sombra, ambos os personagens tiveram acréscimos em suas personalidades. O confronto de ego e sombra em Passolargo aparece simbolizado em sua ida a Sendas dos Mortos.
Na confrontação do ego com a sombra os conteúdos antes reprimidos e ocultos se tornam disponíveis. Estes conteúdos presentes na consciência irão se tornar importantes ferramentas nas decisões a serem tomadas.
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08 de março de 2010
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Logo de início podemos observar que, Denethor é alguém identificado com seu posto, o regente de Gondor.
Denethor não se coloca como o administrador e responsável pelo cumprimento das leis em Gondor, ele diz ser a própria lei. O Senhor de Gondor é um sujeito identificado com a persona de regente. A identificação com a persona traz grandes prejuízos ao desenvolvimento da personalidade. O sujeito identificado com a persona tem um grande obstáculo pela frente caso venha desejar atingir a meta do processo de individuação, o obstáculo de interagir e de se relacionar com o mundo apenas através desta persona. No caso do Regente, ele se vê como o regente em todos os aspectos de sua vida, fator este que veio a ser o responsável por fazer com que o mesmo viesse a exercer um papel de pai questionável no relacionamento com seus dois filhos.
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02 de março de 2010
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J.R.R. Tolkien certa vez escreveu sombriamente: “Temo que não seja nada agradável ser uma figura cultuada ainda em vida”. Sua popularidade ainda tem seus desagradáveis efeitos colaterais.
O entusiasmo peculiar de muitos de seus fãs, a existência de brochuras escabrosas no gênero fantasia, a adaptação cinematográfica ter dado a O Senhor dos Anéis um sabor meio frívolo, ou parecer mesmo um reflexo de Dungeons & Dragons, a despeito da seriedade de Tolkien tanto como escritor como católico. Com O Evangelho segundo Tolkien: Visões do Reino da Terra-média [1] o autor, Ralph C. Wood, pretende contrariar essa tendência. Wood analisa O Senhor dos Anéis “para traçar um caminho que revele nesta trilogia suas principais reivindicações da fé cristã”.
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01 de março de 2010
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Não podemos realmente comparar a salvação na Terra-média com a neste tempo atual, porque no mundo de Tolkien a morte não é uma punição, e sim um presente.
Os homens têm problema em compreender esse conceito, e isto não é surpreendente, visto que a morte é encarada como uma ruptura horrível na experiência humana. Pense, por exemplo, em Arwen quando Aragorn morre. Mas na Terra-média a morte não significa uma maldição. É uma fuga para uma nova aventura, totalmente desconhecida, mas deve de alguma forma ser boa uma vez que é o dom de Ilúvatar para os homens. É um presente que os Elfos não recebem; estes vivem enquanto o mundo durar, mesmo que seus corpos possam morrer, o que apenas significa que seus espíritos vão para uma parte diferente do Reino Abençoado.
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24 de fevereiro de 2010
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O Senhor dos Anéis é basicamente uma narrativa sobre o bem. É uma história de feitos heróicos e triunfo sobre o mal. Muitos personagens são os epítomes de bondade e pureza: Aragorn, Sam, Faramir.
Certamente a busca não poderia ter sido alcançada sem estes exemplos brilhantes. Sauron teria devastado a Terra-média se fosse oposto somente pela maioria neutra da humanidade. Estas pessoas não são, contudo, exclusivamente importantes para a vitória. O fim de O Senhor dos Anéis teria sido muito menos feliz se não fosse pela presença abundante da corrupção. A queda de Boromir, por exemplo, alterou fatalmente o caminho da Sociedade. Merry e Pippin podiam nunca ter advertido Barbárvore sobre a traição de Isengard se não pela corrupção reversa dos Orcs.
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22 de fevereiro de 2010
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Muitas vezes quando, se está tentando explicar Tolkien, é comum se recorra a analogias para tornar mais clara a linha de raciocínio.
Algumas pessoas acham que isso torna a explicação longa demais dificil de entender, na maioria das vezes porque essa explicação continua por mais do que dez linhas. Mas a verdade é que a obra de Tolkien por ser construída através de bricolagem e uso de fontes heterogêneas coladas e transformadas pelo contexto que ele cria, só é realmente bem compreendida pelo uso de analogias, já que sendo o mundo inventado nem todas as partes serão detalhadas e explicadas com o mesmo grau de minúcia, gerando os pontos obscuros no Legendarium. Tolkien frequentemente usou analogias para explicar e definir conceitos criados a partir de homólogos do mundo real, seja destacando inspirações mitológicas, teológicas ou modelos históricos para o que ele fazia na Terra-média.
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