Escrito por Verlyn Flieger
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16 Junho 2010

Entre Dezembro e Janeiro de 1916-17 — uma época profundamente em meio a I Guerra Mundial — o jovem J.R.R. Tolkien, recém regresso à Inglaterra da carnificina de Somme (França), deu início a composição de seu grande Legendárium, O Silmarillion.
Sua intenção era suprir o que sentia faltar na pré-história literária de seu país, uma mitologia nativa inglesa (não britânica) seguindo a mesma linha da obra finlandesa Kalevala e da islandesa Eddas. Ele anteviu esse projeto ambicioso como “um corpo de lenda mais ou menos conectado”, pendendo do “vasto e cosmogônico” para o nível de “conto-de-fadas romântico” (Cartas 144). No processo de criação de sua mitologia, entretanto, Tolkien fez mais do que apenas colorir num espaço em branco; ele inventou uma cosmologia, cuja operação depende de um paradoxo, uma contradição teológica desafiadora. A contradição reside na presença simultânea de dois preceitos opostos em seu mundo inventado, destino e livre-arbítrio, imaginados como se operassem lado a lado, às vezes em conflito, às vezes interdependentes.